Resenhas

Resenha: “Outros Jeitos de Usar a Boca”, Rupi Kaur

Hello, meus beletristas! ♥ Hoje trago a resenha de um livro muito conhecido no campo da poesia contemporânea. Outros Jeitos de Usar a Boca, da empoderada Rupi Kaur.

A poesia contemporânea tem tomado espaço principalmente com versos feministas que visam reforçar o empoderamento feminino através da luta pelos direitos iguais e consciência de gênero. Rupi Kaur faz isso com muita beleza poética!

Assim que eu comprei meu Kindle – na bienal de 2018 -, o primeiro livro que escolhi ler ao assinar o Kindle Unlimited foi esse. Logo me encantei: o livro se divide em quatro partes – a dor, o amor, a ruptura e a cura -, cada uma com um propósito diferente, lidando com um tipo diferente de dor que só as mulheres sofrem. É um livro de poemas sobre a sobrevivência. Sobre a experiência de amor, perda, feminilidade, abuso, violência… todas as dores femininas, transportando o leitor pelos momentos mais amargos da vida de modo que consiga tirar delicadeza deles, trazendo força.

 Outros Jeitos de Usar a Boca  | Rupi Kaur | Editora Planeta | edição de 2017 | 208 páginas | Nota: 7.8/10

As poesias são curtas, de modo que é possível ler o livro inteiro num único dia em apenas um curtinho tempo sentado(a) no sofá! Por serem poesias curtas, a leitura flui tão facilmente que você nem percebe a hora passando. Quando termina o livro, dá aquela sensação de “poxa vida, mas já acabou?” e por conta dessa obra, fui em busca de mais livros do gênero (poesia contemporânea, especialmente feminista) e encontrei a Amanda Lovelace, autora de “A Bruxa não vai para a Fogueira neste Livro” e “A Princesa Salva a si mesma neste Livro”. Logo me apaixonei!

Citações de cada uma das quatro partes de Outros Jeitos de Usar a Boca:

A dor

toda vez que você
diz para sua filha
que grita com ela
por amor
você a ensina a confundir
raiva com carinho
o que parece uma boa ideia
até que ela cresce
confiando em homens violentos
porque eles são tão parecidos
com você

Рaos pais que t̻m filhas

O amor

ele tocou
meu pensamento
antes de chegar
à minha cintura
meu quadril
ou minha boca
ele não disse que eu era
bonita de primeira
ele disse que eu era
extraordinária

– como ele me toca

A ruptura

será que você pensou que eu fosse uma cidade
grande o suficiente pra passar o feriado
eu sou a cidadezinha ao redor dela
aquela que você talvez não conheça
mas sempre atravessa
aqui não tem luz de neon
nem arranha-céu ou estátua
mas não vai faltar trovoada
porque eu deixo as pontes trêmulas
eu não sou carne de vaca sou geleia feita em casa
firme o bastante pra cortar a coisa mais
doce que sua boca vai tocar
eu não sou a sirene da polícia
eu sou o estalo da lareira
eu te queimaria e mesmo assim
você não tiraria os olhos de mim
porque eu ia ficar tão gata
que você ia corar
eu não sou um quarto de hotel eu sou a sala de casa
eu não sou o whisky que você quer
eu sou a água que é necessária
então não venha com expectativas
e tente me transformar numa viagem de férias

A cura

gosto de ver como as estrias
das minhas coxas são humanas
e como somos tão macias porém
ásperas e selvagens
quando precisamos
adoro isso na gente
como somos capazes de sentir
como não temos medo de romper
e de cuidar das nossas dores com classe
só o fato de ser mulher
dizer que sou
mulher
me faz absolutamente plena
e completa

Lindos, não?! <3 Apesar de as poesias serem belas, não dou nota máxima nesse livro por conta de ter achado a escrita muito simples. É bonito, é empoderado, é forte, mas… a escrita é muito simplista. Dá a impressão de que basta escrever umas palavras embaixo umas das outras que já se torna poesia. Talvez eu esteja errada, mas essa foi a impressão que me passou.

De qualquer modo, Outros Jeitos de Usar a Boca é, sem dúvida alguma, o melhor livro de poesia contemporânea até então. Fica a minha dica e até a próxima, queridos beletristas! ♥

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Sobre a autora

Caminho entre letras e sonhos: sou uma eterna apaixonada pelas viagens que as páginas amareladas de um livro pode me levar. Cada página virada é uma nova aventura; em êxtase entro só de pensar. Amo tudo o que me faz expandir esse universo que eu sou; amo olhar minha estante pensando na próxima aventura em que embarcar eu vou. Entrando em sintonia comigo mesma, sou uma louca alucinada pelas belas letras.

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