Resenhas

Resenha: “Tartarugas Até Lá Embaixo”, John Green

Aza Holmes é uma garota de 16 anos que recebe a notícia que um bilionário, Russell Davis Pickett, está desaparecido após algumas investigações que o declararam como corrupto, e quem encontrá-lo receberá uma recompensa no valor de cem mil dólares. Partindo desse ponto, Aza e sua melhor amiga Daisy decidem ir atrás da recompensa, motivadas pelo fato de Aza ter sido amiga de infância do filho do bilionário, Davis Pickett.

Tartarugas Até Lá Embaixo ● John Green 2017 ● Editora Intrínseca ● 256 páginas Nota: 10/10

Engana-se quem pensa que esta é uma história sobre duas melhores amigas interesseiras, ou um romance, ou um mistério. Engana-se quem pensa que este é somente mais um livro de John Green.

Este, provavelmente, senão com certeza, é o livro mais pessoal de John Green. Enquanto Aza tenta ser uma boa filha e uma boa amiga, ela passa a maior parte do tempo tentando lidar com seu maior problema: seu TOC. Enquanto pensamentos invadem sua mente sem ela permiti-los nem desejá-los, Aza tenta viver sua vida como se fosse alguém normal, do mesmo modo que John Green.

O próprio autor sofre de Transtorno Obsessivo-Compulsivo, e por isso essa personagem parece mais um retrato de si do que algo fictício. O livro é tocante: permite o leitor mergulhar na mente de uma personagem que sofre de uma doença da qual não tem o mínimo controle. Vivendo numa espiral de pensamentos infinita, Aza Holmes tentará lidar com suas tartarugas, que sempre irão até lá embaixo, e é visível na história que a cada capítulo a personagem evolui mais seu modo de lidar com esse transtorno, fazendo o leitor admirá-la cada vez mais.

“É muito raro encontrar alguém que veja o mesmo mundo que o seu.”

O livro é repleto de personagens autônomos, únicos; como Davis, que nos encanta com sua admiração pelas estrelas e pelo universo, enquanto tenta lidar com a responsabilidade de cuidar de seu irmão mais novo, Noah, que de modo rebelde, sofre com o desaparecimento do pai.
A mãe de Aza, que é professora, também merece destaque, visto que a mesma tenta sempre compreender a filha e estar presente em sua vida.

Entretanto, sem dúvidas, a personagem mais divertida da história é sua melhor amiga: Daisy. Escritora de fanfics de Star Wars e extremamente falante, Daisy está sempre ao lado de Holmes. A amizade entre as duas é forte e vem de anos, e parece mais algo da vida real que fictício, pois assim como Aza, Daisy tem seus defeitos, mas, desavenças acontecem… e são perdoadas.

Com todos esses fatores, Tartarugas Até Lá Embaixo, ao invés de uma ficção que retrata a realidade, parece mais ter saído da própria realidade para explicá-la numa ficção. John Green mais uma vez encanta com seus questionamentos filosóficos, seus pensamentos intensos – dessa vez, mais forte que nunca – e sua habilidade de nos fazer fechar um livro refletindo mais sobre a vida. É uma leitura indispensável para quem tenta compreender os sentimentos humanos mais complexos na companhia de um autor que facilmente consegue colocar tais sentimentos em palavras, trazendo uma leitura leve que flui melhor a cada página virada e a cada nova descoberta das tartarugas de Aza Holmes, principalmente quando você compreende o título do livro.

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Sobre a autora

Caminho entre letras e sonhos: sou uma eterna apaixonada pelas viagens que as páginas amareladas de um livro pode me levar. Cada página virada é uma nova aventura; em êxtase entro só de pensar. Amo tudo o que me faz expandir esse universo que eu sou; amo olhar minha estante pensando na próxima aventura em que embarcar eu vou. Entrando em sintonia comigo mesma, sou uma louca alucinada pelas belas letras.

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